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Queridos amigos e amigas:

Tenho um pouco de dificuldade com o invisível: Deus, anjos, querubins e tantas outras coisas que voam por aí, e que não podemos tocá-los ou vê-los. Tenho com o Natal e com este marcador de tempo, dizendo que dentro de poucos dias, adentraremos 2012. Sim, confesso que isto tudo me perturba, nestes dias nem tão felizes quanto parece ser, com a fome caminhando pelas ruas, em rostos infantis, em meninas que ganham algum trocado ou nada, prostituindo-se por um pedaço de pão.

Porém, creio que podemos caminhar juntos para transformarmos, para que o humano seja humano e não um número estatístico. Creio na luta no combate contra as injustiças, no deus da divisão justa, da igualdade e de gente feliz nas praças, da comida, de escolas, do saber e do conhecimento para todos e todas.

Que tenhamos sempre todos os dias de nossas vidas, felizes dias, pois nascemos para mirarmos estrelas, crermos na Lua e nos deuses da amizade, na amizade com às arvores, no respeito à água, de abraçar a gente que passa, de crer no trabalho coletivo, de saudar o Sol, de semear esperança, porque somos filhos deste Planeta, nossa Grande Casa, onde somos uma grande familia.

Abraços

Pedro Munhoz

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Un ruiseñor poeta

Antonio Guerrero*

Simplemente le digo:
Muy buenos dias, celda.
Y saludo al hastio
impregnado en su puerta
y en sus paredes blancas
como camisa férrea
de mil puntas agudas,
obsesivas y cruentas.

No lo voy a negar,
a veces ando a tientas
ando sin dirección
enfrentando tormentas
de nostalgias y ensueños,
para poder llegar
hasta la luz que alegra.

Pero, por esas cosas
que el alma trae y lleva,
esas cosas que al fondo
del infinito vuelan,
tan pronto me levanto
encuentro la manera
de posar en mi pecho
un ruiseñor poeta.

*Antonio Guerrero, cubano, poeta, preso injustamente, condenado a prisão perpétua nos EUA, acusado de terrorismo contra aquele país. Encontra-se numa prisão Miami, juntamente com mais tres compatriotas, da mesma forma acusados e apenados. Outras informações: www.josemarti.com.br

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Guitarra

Nicolas Guillen

Tendida en la madrugada,
la firme guitarra espera:
voz de profunda madera
desesperada.

Su clamorosa cintura,
en la que el pueblo suspira,
preñada de son, estira
la carne dura.

¿Arde la guitarra sola?
mientras la luna se acaba;
arde libre de su esclava
bata de cola.

Dejó al borracho en su coche,
dejó el cabaret sombrío,
donde se muere de frío,
noche tras noche,

y alzó la cabeza fina,
universal y cubana,
sin opio, ni mariguana,
ni cocaína.

¡Venga la guitarra vieja,
nueva otra vez al castigo
con que la espera el amigo,
que no la deja!

Alta siempre, no caída,
traiga su risa y su llanto,
clave las uñas de amianto
sobre la vida.

Cógela tú, guitarrero,
límpiale de alcohol la boca,
y en esa guitarra, toca
tu son entero.

El son del querer maduro,
tu son entero;
el del abierto futuro,
tu son entero;
el del pie por sobre el muro,
tu son entero...

Cógela tú, guitarrero,
límpiale de alcohol la boca,
y en esa guitarra, toca
tu son entero.

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Solo mientras tanto

Mario Benedetti

Vuelves, día de siempre,
rompiendo el aire justamente donde
el aire había crecido como muros.

Pero nos iluminas brutalmente
y en la sencilla náusea de tu claridad
sabemos cuándo se nos caerán los ojos,
el corazón, la piel de los recuerdos.

Claro, mientras tanto
hay oraciones, hay pétalos, hay ríos,
hay la ternura como un viento húmedo.
Sólo mientras tanto.

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Morte e vida Severina

(Auto de Natal Pernambucano)
João Cabral de Melo Neto

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.

"Este é o mais conhecido dos trabalhos do poeta pernambucano.
Este trecho foi extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra Completa", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág. 171."

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Querida vida

Pedro Munhoz

Ó vida minha,
que não é minha,
que é da vida.
É um partilhar,
compartilhar,
querida vida.

Somos nós,
garganta e voz,
querida vida.
Desata os nós,
tudo por vós,
é nossa vida.

Ó vida minha,
que não é minha,
é nossa vida.
Escrito em giz,
não te repetes,
ó vida minha.

E dar as mãos,
Revolução,
é vida minha,
é vida tua,
é vida nossa.

Vais pelas ruas,
são tuas ruas,
querida vida.

Barra do Ribeiro, 05.07.11
Inverno e mate quente.

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Créeme

Vicente Feliú

Créeme
cuando te diga que elmaor me espanta
que me derrumbo ante un te quiero dulce
que soy feliz abriendo una trichera.

Créeme
cuando me vaya y te nombres en la tarde
viajando en una nube de tus horas
cuando te incluya entre mis monumentos.

Créeme
cuando te diga que me voy al viento
de una razón que no permite espera
cuando te diga no soy primavera
sino una tabla sobre un mar violento.

Créeme
si no me ves no te digo nada
si un dia me pierdo y no regreso nunca.
Créeme
que quiero ser machete en plena zafra
bala feroz al centro del combate.

Créeme
que mis palomas tienen de arco iris
lo que mis manos de canciones finas.

Créeme.
Créeme
porque así soy y así no soy de nadie.

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Cântico Negro

José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

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Dos senhores deste Estado

Felipe da Costa Franco

Está no medo de um pai acuado

Está na angústia de um irmão preocupado

Está na cabeça de um jovem viciado

A força

Dos senhores deste Estado

Está nos milhares de inocentes mutilados

Está nas mãos de um soldado alienado

Está nos morros de um Brasil abandonado

O sistema

Dos senhores deste Estado

Está nos milhões de reais que são roubados

Pelos senhores que nos exploram o trabalho

Está no corpo de um operário cansado

A riqueza

Dos senhores deste Estado

Está nos votos de um povo calado

Está na inércia de um povo cansado

Está nos latifúndios que guardam sob cercado

A ordem

Dos senhores deste Estado

Mas não duvidem Companheiros

Que está nas mãos de um povo organizado

Que está na luta de um povo indignado

Que está na sabedoria de um povo emancipado

A derrota

Dos senhores deste Estado

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Porta Fechada

Pedro Munhoz

Que diriam aqueles,
que diriam aquelas,
que ficaram pra sempre,
dentro de uma cela?

Dos corredores da morte,
os que jamais voltarão,
da tortura, do medo,
da escuridão.

A tristeza não mente,
marca a vida esta dor,
a tristeza da gente,
livra o torturador.

Aqueles que perguntam,
não tiveram resposta,
tanto tempo depois,
segue fechada uma porta.

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Subversivo e trovador

Pedro Munhoz

Viver e não ter medo da morte.
somos o fim do último gameta,
a solidão mora nas gavetas,
é impossivel acreditar na sorte.
O fruto nasce do corte,
o corte nasce da dor.
Aprende quem dá valor
às lições do sofrer.
Mudar é o risco de morrer,
morro subversivo e trovador.

Pena deveras quem não pensa,
pena demais quem não ousa.
Pássaro que não voa, não pousa.
Perdido na mata densa,
ave que vive mui tensa,
cheia de medo e pavor.
Não temo a nenhum senhor,
nada tenho a arrepender.
Mudar é o risco de morrer,
morro subversivo e trovador.

Pois o destino não existe,
vamos na marcha da evolução.
A ocasião não faz o ladrão,
nem sempre vence quem inisiste,
coerência é quem resiste,
frente ao dominador.
O rubro sangue da flor,
não iremos esquecer.
Mudar é o risco de morrer,
morro subversivo e trovador.

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A vida é mais que tudo

(Pedro Munhoz)

A vida é mais que tudo,
que um errante sem destino,
é algazarra de menino
na calçada à brincar.
A vida é mais que tudo,
ainda que haja rotina,
é no sonho das meninas
que o mundo aprende a amar.

A vida é mais que tudo,
quando o dia amanhece,
mesmo quando a gente esquece
que outro dia vai chegar.
A vida é mais que tudo,
que o silêncio das ruas,
que mulheres semi-nuas,
na praça de algum lugar.

A vida é mais que tudo,
é o beijo dos casais,
o cio dos animais,
um galo a cantar.
A vida é mais que tudo.
é uma rosa na mão,
é desejo, é solidão,
é o filho que vai chegar.

A vida é mais que tudo,
é escrever uma carta,
carinho, amor, mesa farta,
é o lampejo do criar.
A vida é mais que tudo,
mesmo pagando pra ver,
é muito mais a dizer,
o que não precisa falar.

A vida é mais que tudo
e não é questão de sorte,
só bendigo a morte
se for pra ressuscitar.
A vida é mais que tudo,
é pura filosofia,
morre a noite, nasce o dia,
dia e noite sem parar.

A vida é mais que tudo,
à regra, à exceção,
geração à geração,
vai avançando o pensar.
A vida é mais que tudo,
tudo faço em nome dela,
só não fico na janela
olhando a vida passar.

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A História cobrará

Pedro Munhoz

Aos que cantam os prazeres
da palavra imediata,
que de forma insensata,
ignoram todos os seres.
Trocam a vida e os saberes,
pois de nada importará.
Só tempo mostrará
a face destes senhores,
verdadeiros traidores,
a História cobrará.

Abomine os vendilhões,
fantasiados de passado,
se dobram pra todo o lado,
necessitam de patrões.
Mercadores de ilusões,
mentem ao deus dará.
Mas inda se verá
a face destes senhores,
verdadeiros traidores,
a História cobrará.

Quem maltrata o Planeta,
exterminando gerações,
conflitando as nações,
na ponta da baioneta.
Besta fera, fera besta,
nada, nada ficará.
Na bomba que explodirá,
a face destes senhores,
verdadeiros traidores,
a História cobrará.

Chaminés que rasgam os céus,
o campo vira deserto.
O verde, cinza por certo,
comeremos só papel?
Matar a sêde com o fel,
da água que faltará.
Mas ninguém esquecerá,
a face destes senhores,
verdadeiros traidores,
a História cobrará.

Ergue o braço, lutador,
seja sempre pelo justo.
Se a vitória tem um custo,
nossa luta tem valor.
Aprendemos com a dôr.
O exemplo se dará.
Não esqueça de mirar
a face destes senhores,
verdadeiros traidores,
a História cobrará.

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Chuvarada

Pedro Munhoz

Quando vem água pra baixo
despontam alguns segredos
e entre mágoas e medos
a chuva pede passagem.
Longe, parece miragem,
quem olha, perde de vista,
é a alma do artista,
cansado de tanto sofrer.
Se emociona ao escrever,
tudo aquilo que medita.

É da lida do cantor
revelar alguns momentos,
crivado de sentimentos,
entristecido por vezes.
Acostumado aos revezes,
enfrenta qualquer embate,
faz da vida sua arte,
e assim consome silencios.
Que aprendeu em outros tempos,
quando rodou em combate.

E se uma porta se fecha,
outras tantas hão de abrir.
Quem sofre aprende a sorrir,
curando suas feridas.
Cicatrizes doloridas,
deixam no corpo esta marca
de uma dor que se desata,
mas a dor sempre tem fim.
È da vida, é assim,
que a lição sempre nos trata.

No final da chuvarada,
sobram ainda pensamentos,
outras vidas, outros ventos,
rondam aqui e ali.
E vendo a chuva cair,
verso, poema e canção,
inundou-se de emoção
o cinza-claro do dia,
com coplas de invernia,
tiradas do coração.

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Meu País È o Planeta

Pedro Munhoz

Desta vida caminhante,
de mapas tão diferentes,
em meio a tanta gente,
povoados tão distantes.
Sete Mares, navegantes,
alfabetos, tantas letras,
mesmo céu, tantos cometas,
eu não sou um forasteiro.
Meu lugar é o mundo inteiro,
meu País é o Planeta.

Têm desertos e savanas,
os Trópicos e geleiras,
tem floresta, companheira,
preservar é prá quem ama.
Cuida mais, também reclama,
o Poder tem mil facetas,
interfira, se intrometa,
eu não sou um forasteiro.
Meu lugar é o mundo inteiro,
meu País é o Planeta.

È a terra generosa,
que nos dá o alimento,
a semente e o sustento,
rubra beleza da rosa.
Quando bombas poderosas,
tem destino na etiqueta,
pobreza explode, arrebenta,
eu não sou um forasteiro.
Meu lugar é o mundo inteiro,
meu País é o Planeta.

Onde tudo começou,
Mãe Àfrica sofredora,
foi por mãos exploradoras,
negro, escravo do senhor.
Chancela do Imperador,
judiaram da Mãe Preta,
há verdades nas gavetas,
eu não sou um forasteiro.
Meu lugar é o mundo inteiro,
meu País é o Planeta.

Sou a criança afegã,
as viuvas iraquianas,
a resistência cubana,
Palestina do amanhã.
Dia de festa pagã,
alegria na colheita,
chegada em Sierra Maestra,
eu não sou um forasteiro.
Meu lugar é o mundo inteiro,
meu País é o Planeta.

A vida vai muito além
de tudo que se divisa.
Sociedade permissiva,
massificada também.
A mudança sempre vem,
luta, fuzil e caneta,
que o triunfo se completa,
eu não sou um forasteiro.
Meu lugar é o mundo inteiro,
meu País é o Planeta.

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Não calo de nada

Pedro Munhoz

Falo dos mortos,
dos corpos feridos,
dos loucos varridos,
da escuridão.
Falo dos becos,
dos negros fugindo,
soldado subindo,
metralha nas mãos.

Falo da morte,
de um ESTADO falido,
onde ELE é o bandido,
que não dá opção.
Falo do injusto,
da mentira oficial,
da matança legal
no Alemão.

Falo do sangue,
do choro dos pais,
do moleque-rapaz,
no camburão.
Falo do texto,
a pretexto da ira,
exibindo mentiras
na televisão.

Falo combate,
chinelo e bermudas,
cabeças desnudas
de orientação.
Falo do ESTADO,
eterna ausencia,
matando a inocência,
paredando a Nação.

Falo de tudo,
não calo de nada,
quem vai na estrada,
ganhando o mundão.
Ave Maria
dos Desgraçados,
teus filhos tombados,
caídos no chão.

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O poeta e o palhaço

Pedro Munhoz

O poeta e o palhaço,
o palhaço e o poeta,
nesta mágica secreta,
que se faz o nó e o abraço.
Toda a rima tem compasso,
toda a porta é entreaberta,
quando a rua está deserta,
o silêncio conta os passos.

O poeta e o palhaço,
a palavra se liberta,
a frase se desconserta,
nas cinzas e estilhaços.
No encontro dos acasos,
inconstante, inconcreta,
relevante e incompleta,
a revolta dos parnasos.

O palhaço e o poeta,
o poeta e o palhaço,
navegando pelo espaço,
alguma estrela discreta.
Onírica, desperta,
no descanso de algum braço.
O poeta e o palhaço,
a poesía se completa.

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Sr. Pedro Bial,

Imagino que minhas palavras jamais chegarão ao seu conhecimento. Mas pouco importa. Escrevo por indignação e não por reconhecimento. Escrevo por ter minha humanidade subestimada pela mediocridade, pela falta total de valores e princípios. Escrevo por entender o quanto sua presença na tela da tv é irrelevante e inoportuna. O senhor não imagina ou não faz idéia, do quanto ridículo é sua figura tentando convencer a audiência, da importância que o BBB representa na vida de todos nós. Na verdade é mais um formato (reality show) que foi comprado e colocado goela abaixo em nosso povo. E o pior: o senhor é quem dá o último toque. È claro, que o senhor nada mais é do que um empregado da emissora, fazendo o que lhe é mandado. Mas isto não lhe exime, tamanho o seu requinte ante às câmeras.O senhor é deprimente. Repugnante.

Fico pensando,em seus anos gastos em escolas, universidades, para depois tornar-se um bufão. Tem gente que lhe considera um poeta. E eu pergunto: Como? Quem disse? Quem se animaria a ser poeta, onde não há poesia? Que poeta é este que mata a flor e nos condena a mesmice? Creio que bufão, lhe cabe melhor.

Sr. Pedro Bial, o senhor conduz um programa que em nada difere das rinhas de galos, cachorros, entre outras espalhadas pelos fundões deste país. O senhor conduz algo mais sórdido: rinha de gente. É empobrecedor, senhor Bial, para que no final o ganhador saia com uma soma em dinheiro. E diga-se de passagem, não se compara ao montante arrecadado em patrocínios, ligações telefônicas. durante os três meses de duração do programa. O senhor não contribui em nada com a sua gente. O senhor entorpece mentes e mente entorpecendo a realidade.

Por fim, gostaria ainda de dizer-lhe, que acredito na mudança deste país, acredito em novos valores, acredito que o mundo possa mudar, que possamos almejar algo bem melhor que corpos sarados no horário nobre. O senhor não estará lá, com certeza.

Como o senhor gosta muito de mandar gente para o Paredão, entendo esta palavra e o ato em si, como algo determinante e decisivo. Eu gostaria de mandá-lo para o Paredão, no dia do triunfo final, no dia em que o povo ganhar as praças e as ruas, tomar os palácios e assumir as fábricas, ocupar a terra e produzir o pão. Com certeza, Sr. Pedro Bial, o senhor fará parte da primeira leva, que irá sumariamente para o Paredão. Para que assim tenhamos um mundo melhor.

Pedro Munhoz

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Chacarera Por Barra do Ribeiro

Pedro Munhoz

Permita a chacarera,
de um sureño brasileiro.
Chacarerita que canto
à ti minha Barra do Ribeiro.

Verão que se ilumina,
tendo sol por companheiro.
Biguazada revoando,
sobre Barra do Ribeiro.

Charqueada quando outrora,
celulose nos potreiros.
Passado ainda presente,
pobre Barra do Ribeiro.

Um dia tem que cambiar,
varrendo todo o terreiro.
Prá contar outra história,
de Barra do Ribeiro.

Trabalho mui escasso,
pra poucos, muito dinheiro.
Muito pouco, quase nada,
minha Barra do Ribeiro.

Mescla de tanta gente,
é bem vindo o forasteiro.
Surgem aves de rapina,
sobre Barra do Ribeiro.

E assim vai resistindo,
todo o tempo, o tempo inteiro.
Peleando sem adaga,
pobre Barra do ribeiro.

Um dia tem que cambiar,
varrendo todo o terreiro.
Prá contar outra história,
de Barra do Ribeiro.

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Quando Matam Um Sem Terra

Pedro Munhoz

Quem contar tráz à memória,
sabendo que dor existe,
quando a morte ainda insiste
em calar quem faz a História.
Pois quem morre não tem glória,
nem tampouco desespera.
È um valente na guerra,
tomba em nome da vida.
Da intenção ninguém duvida,
quando matam um Sem Terra.

Foi assim nesta jornada,
quando mataram mais um,
o companheiro Elton Brum,
não teve tempo prá nada.
Numa arma disparada,
o Estado é quem enterra
e uma vida se encerra
em nome da covardia.
Toda a nossa rebeldia,
quando matam um Sem Terra.

È o desatino fardado,
armado até os dentes,
até esquecem que são gente,
quando estão do outro lado.
E vestidos de soldado,
todo o sonho dilacera,
violência prolifera,
tiro certeiro, fatal.
Beiram o irracional,
quando matam um Sem Terra.

Quem és tu torturador,
que tanta dor desatas,
desanimas e maltratas
o humilde plantador?
Negas a classe, traidor,
do povo tudo se gera,
te esqueces deveras,
debaixo de um capacete.
Dá a ordem o Gabinete,
quando matam um Sem Terra.

Em algum lugar da pampa,
Elton deve de estar,
tranquilo no caminhar,
jeito humilde na estampa.
E algum céu se descampa,
coragem se retempera,
outras batalhas se espera,
dois projetos em disputa.
Não se desiste da luta,
quando matam um Sem Terra.

(Para Elton Brum MST/RS, assassinado covardemente pelas costas, em 24.08.09)

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A fome

Letra:Pedro Munhoz /Melodia: Pio Bagnasco

A fome que temos
é fome de tudo,
é quando a fome,
é a fome do mundo.

A fome que temos,
a mesa vazía,
sem livros, sem nome,
a fome vigia.

A fome que temos,
de prato e canção,
de trato, com fome
de educação.

A fome que temos,
palavra e esmola.
E dela morremos,
sem pão, sem escola.

A fome da fome,
da inanição,
que mata, consome,
na escuridão.

A fome do homem,
mulher e criança.
O fogo da fome,
da ignorância.

A fome que temos,
a fome não espera.
Quem gera esta fome,
come com ela.

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